O mundo do trabalho está repleto de Racismo e Machismo. Quando vamos falar sobre isso?

O mundo do trabalho está repleto de Racismo e Machismo. Quando vamos falar sobre isso?

O mundo do trabalho é um dos mais importantes espaços da sociedade, e nesse espaço dia à dia as mulheres vem sendo violentadas. Mulheres negras enfrentam duplamente essa violência, por serem negras estão sendo silenciadas pela violência racista ali presentes e em seguida invisibilizadas. A discussão sobre machismo e racismo no mundo do trabalho é urgente.Quando discutiremos isso?

Pensar o mercado de trabalho e as estratégias de acesso e controle dos meios de produção nos ajuda a entender porque mulheres negras são a maioria das pessoas desempregadas: Os processos de recrutamento e seleção sistematicamente excluem mulheres negras: O extinto (?) critério boa aparência segue em curso, há alguns meses o MPT em Pernambuco iniciou a investigação de uma casa de festas que em seu anpuncio de vagas dizia que não aceitava pessoas que morassem em determinados bairros da cidade, os mais pobres, os mais pretos. Para vendedora, recepcionista, Coordenadora, Gerente parece que as mulheres negras nunca têm tudo que precisam, o currículo pode ser perfeito, mas diante daquele corpo negro, sempre haverão critérios que não serão alcançados.

Mas e o que dizer das pessoas negras quando se encontram no mercado de trabalho? Para além do fatos de sermos sobrerrepresentados nos setores mais precários e menos bem remunerados da economia, como se vivêssemos e uma sociedade que insistisse em nos dizer que somos a carne mais barata d mercado, precisamos ser capazes de lançar um olhar interseccional que nos permita ver que numa sociedade de capitalista, a exploração da força de trabalho é dada, mas quando ao mesmo tempo a sociedade é machista e racista as mulheres negras vivenciam no mais amplo sentido o impacto da violência e isso precisa ser visibilizado

As mulheres são violentadas nos locais de trabalho: suas idéias são roubadas, são tratadas como inferiores, sua autoridade é questionada. As relações que os homens estabelecem coma s mulheres nesse espaço são perversas, a maneira como invisibilizam o seu trabalho ou infantilizam a sua presença são um ponto comum no relato de todas nós. Quantas vezes não fomos explicitamente assediadas? Quantas mulheres já não perderam seus empregos por esse motivo?

Ano passado uma jovem mulher foi convidada por seu chefe para  uma reunião externa, à caminho da reunião ele alegou que havia esquecido um documento em casa e  a convidou a voltar com ele até llá  para buscar. Chegando na casa a estuprou violentamente. Machucada, violentada, humilhada essa jovem voltou pra sua casa, partilhou com duas amigas com quem dividia casa e então surge o medo: como ela poderia denunciar esse homem, o proprietário de um dos maiores empreendimentos de sua cidade?

Não preciso dizer como terminou a história, só queria a partir dela levantar todos esses elementos que estão presentes na vida das mulheres, mas há um elemento a acrescentar: se essa história se passasse com uma jovem mulher negra o silêncio sobre a mesa seria maior, porque vidas negras não importam nessa sociedade.

Discutir a articulação entre machismo, sexismo, racismo no mundo do trabalho é determinante para lançarmos uma luz sobre a situação das mulheres negras, só essa análise poderá lançar luzes sobre a violência que impacta diretamente a saúde mental e física de mulheres negras. A violência contra a mulher negra no mundo do trabalho é uma questão de saúde pública.

Não é a primeira vez que proponho esse debate, mas talvez seja a vez em que o proponho com mais urgência, discutir o mundo do trabalho, discutir quem acessa meios de produção, quem controla, quem consegue emprego, quem recebe os salários justos envolve discutir a questão racial. Faça um esforço: Quantas vezes não chegou até você como uma espécie de fofoca que determinada mulher vem sendo perseguida no trabalho? Quando você sabe que se trata de uma mulher negra, tem certeza que você se preocupa da mesa forma? Provavelmente não. E é disso que se trata, identificarmos em que medida  nas relações de trabalho o racismo que carregam dentro de si, se operacionaliza em todas as demais práticas.

As mulheres negras sobrevivem dia à dia em meio a esse contexto de violações, mas nós queremos, merecemos e exigimos mais: Exigimos dignidade, respeito e acesso pleno à nossos direitos. Exigimos à promoção da igualdade racial e de gênero no mundo do trabalho. Exigimos que seja aberto esse debate, que se coloque sobre a mesa o quanto um mundo do trabalho completamente racista tem feito muito mais dano a cada uma de nós mulheres negras.

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